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# A resiliência estoica do PDF dentro de um ecossistema digital

O PDF, enquanto formato para a disseminação de conteúdo académico, tem os seus detratores — então porque é que o fiel ficheiro PDF recusa teimosamente reformar-se do serviço?

Neste momento, o PDF é o principal resultado da composição tipográfica baseada em LaTeX do Overleaf. A conversão direta de documentos LaTeX “em bruto” produzidos pelo autor para XML ou MathML apresenta desafios técnicos e, normalmente, esses processos de conversão podem exigir a “normalização” da entrada e, talvez, várias formas de “limpeza” da saída resultante da conversão — consoante as ferramentas e tecnologias que efetuam a conversão. As discussões sobre “impressão vs. digital” e a adequação do PDF como formato contentor para distribuição de conteúdo têm sido, e continuam a ser, alvo de debates acesos em inúmeros tópicos na web; no entanto, achámos que poderia ser interessante uma breve panorâmica do percurso evolutivo até ao contexto editorial atual.

## Do PostScript ao JavaScript e mais além

As últimas décadas têm sido testemunhas de uma série de mudanças tecnológicas que afetaram a criação, produção e disseminação de conteúdo académico. Nos anos 1970, o TeX libertou cientistas e matemáticos das restrições dos sistemas proprietários de composição tipográfica; a década de 1980 assistiu à criação do PostScript e de novas tecnologias de tipos de letra, que ajudaram a desencadear a revolução da autoedição. Menos de uma década após o PostScript surgiu a Web, o HTML e o nascimento do filho do PostScript: o PDF — adotado pela indústria editorial como formato de transferência de ficheiros de facto. Pouco depois, as tecnologias baseadas em XML, incluindo MathML, ganharam popularidade e tração na publicação de revistas. Hoje, a edição académica pode produzir e disseminar conteúdo criado com recurso a uma multiplicidade de tecnologias digitais, incluindo MathJax, SVG (Scalable Vector Graphics), JavaScript, CSS e funcionalidades de HTML5. Além disso, essas tecnologias podem ser empacotadas e combinadas de várias formas para produzir livros digitais através de especificações de contentores como o epub. Outras tecnologias facilitadoras incluem Unicode para codificação de texto e as tecnologias de tipos de letra OpenType — que funcionam em conjunto para permitir a comunicação, transmissão e renderização de conteúdo textual dependente de regras tipográficas complexas. O rápido crescimento do conteúdo em vídeo e áudio tem sido possibilitado por potentes computadores de secretária, tablets e dispositivos móveis, todos equipados com navegadores cada vez mais sofisticados e acesso a tecnologias de comunicações rápidas.

## Conteúdo: complexidade e consumo

É bastante claro que o conteúdo académico pode agora ser criado e distribuído numa vasta gama, ou mistura, de formatos digitais, mas o ecossistema usado para lhe aceder e o “consumir” é composto por uma mistura heterogénea de tecnologias de hardware e software — uma mistura estimulante de fornecedor, dispositivo de leitura e sistema operativo/plataforma. À medida que a complexidade do conteúdo digital aumenta, este pode tornar-se mais dependente das capacidades específicas da tecnologia utilizada para o ler. O texto simples pode sofrer a indignidade de, talvez, um glifo ocasional em falta ou da ausência de algumas ligaduras refinadas, mas, no geral, é provável que sobreviva praticamente incólume. À medida que se sobe na cadeia da complexidade para incorporar matemática avançada, JavaScript/CSS complexos, funcionalidades interativas ou texto em línguas com escrita complexa, a experiência do utilizador final (isto é, do leitor) pode tornar-se cada vez mais dependente do seu ambiente local — ou seja, das capacidades do software usado para apresentar o conteúdo — quer seja um navegador Web, um tablet ou um telemóvel. Claramente, assegurar a precisão e a fidelidade de reprodução é um requisito absolutamente essencial para as comunicações académicas — é preciso saber que o que se produz pode ser “consumido” pela grande maioria do seu público potencial sem receio de que as limitações dessa tecnologia degradem ou restrinjam a experiência do leitor. Talvez isto explique em parte por que razão o fiel ficheiro PDF se recusa teimosamente a reformar-se do serviço e, para alguns, continua a ser a forma preferida de ler, imprimir e partilhar livros ou artigos de revistas que contêm conteúdo altamente complexo.


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